José Júlio de Sousa ou simplesmente Zé Fabião, como ficou eternamente conhecido nos meios comerciais, religiosos e sociais de Cruz, nos deixou. Partiu para a eternidade. Na sua vida, em passagem pela Terra, deixou marcas que alguém poderá seguir sem medo de errar. O jeito simples, humilde e humorístico de lidar com os amigos e conhecidos fez com que o seu nome fosse propagado nos meios sociais e nas conversas de roda. Para tudo encontrava uma saída. Sempre carregou dentro de si um personagem típico do povo irreverente de Lagoa Salgada.
Foi um grande construtor, um grande mestre. Construiu casas, família e amigos, construiu uma fé sólida nos ensinamentos de Deus. Fez humor, contou histórias, relatou o passado de forma objetiva e engraçada. Reunia amigos para contar às histórias que ajudou a construir ao lado de seu povo e de sua família.
Soube educar seus filhos e dar a cada um, tudo aquilo que um verdadeiro pai deveria dar aos seus filhos: Educação, seriedade e respeito para com o próximo.
Conheci seu Zé Fabião em 1981, quando aqui cheguei. Seu comércio era ponto de referência para as pessoas humildes que vinham da zona rural e muitas vezes sem um destino certo. Aproximavam-se de seu pequeno comércio para guardarem seus pertences e fazerem suas compras. Lá se ouvia histórias do dia a dia e presenciavam-se fatos curiosos como o caso de um menino do interior que chegou muito assustado querendo comprar um anzol especifico para pescar em um riacho. Zé Fabião esteve várias vezes em meu programa dando entrevistas e contando suas histórias. Sempre exaltou a beleza de sua mulher, dizia que muitas mulheres usavam flores para se enfeitar, mas com sua esposa era diferente. Ela é quem enfeitava todas as flores do mundo. Grande devoto de São Francisco sempre foi participante ativo em todos os seus momentos de festas e orações. Mas tinha uma grande preocupação em relação a sua morte. Jamais admitia morrer depois de sua esposa, pois não agüentaria ficar longe de seu grande amor. Amigo, agora que está ao lado do pai ore junto a ele por aqueles que ficaram na saudade.
Antonio dos Santos de Oliveira Lima
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